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Pandemia eleva interesse pela compra de carros, mas preços limitam opção

Pesquisa da Globo com pessoas que não têm veículo próprio mostra que 39% têm intenção de comprar um

Das várias mudanças de comportamento provocadas pela pandemia de coronavírus, entre as mais evidentes está a aversão ao uso do transporte público pelo alto risco de contágio. Já havia a percepção que isso deveria aumentar o interesse pela aquisição de um veículo próprio, o que foi comprovado por recente pesquisa realizada pela recém-criada unidade de negócios do setor automotivo da Globo, divulgada na quarta-feira, 18, em uma apresentação on-line promovida pela Anfavea, a associação dos fabricantes (confira mais abaixo os principais resultados do estudo).

A pesquisa feita em outubro com 400 pessoas que não têm carro das classes A, B e C, de todas as regiões do País, aponta que 39% dos entrevistados, cerca de quatro em cada dez, disseram que têm intenção de comprar um automóvel, 22% entre o fim deste ano e no decorrer de 2021 e 17% só a partir de 2022.

Para a grande maioria dos entrevistados, 55%, que tem intenção de comprar um veículo, o principal fator motivador é trocar o transporte público pelo individual, enquanto 14% querem um carro para trabalhar com aplicativos ou entregas de mercadorias, e outros 14% avaliam que é um bom momento para comprar.

PREÇO LIMITA COMPRA DE CARRO ZERO

Um fator limitador é a falta de recursos. Entre os que querem comprar, a pesquisa aponta de 62% pretendem investir no máximo R$ 50 mil – valor hoje muito abaixo da maioria dos carros zero-quilômetro disponíveis no mercado. Por isso, 38% dizem que “com certeza” têm intenção de adquirir um modelo usado, 29% afirmam que será um novo e 32% ainda não decidiram.

Nesse sentido, a pesquisa revela outro dado importante: entre 61% das pessoas que disseram não pretender comprar um carro, 57% não mudariam de ideia por nenhum motivo, mas todos os outros passariam a considerar fazer o negócio se recebessem algum estímulo, e o principal, para 16%, seriam condições mais favoráveis de financiamento, enquanto 13% afirmaram que a redução de impostos ou algum outro incentivo seria um fator que poderia promover a intenção de compra, e para 4% uma promoção de um modelo que atrai poderia alterar sua opinião em favor da aquisição de um veículo.

Para Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, a pesquisa indica uma oportunidade e um desafio: existem pessoas que querem comprar um carro no momento, mas ele admite que a indústria produz atualmente poucas opções dentro do valor máximo que se pretende gastar em um automóvel.

“A pesquisa mostra que existe a oportunidade de vender mais veículos e ajuda a direcionar a estratégia da indústria, mas também existe uma limitação econômica para isso. Um fator que pode compensar isso é a oferta de financiamento atraente, algo que também ficou demonstrado no estudo”, destaca Moraes.

Outra forma de mitigar o elevado preço dos carros novos é a oferta de aluguel de longo prazo, uma estratégia de venda que alguns fabricantes já começaram a explorar e que a pesquisa da Globo também abordou. Dos 39% que pretendem ter um veículo, 38% disseram que preferem um serviço de assinatura do que a compra, mostrando aqui uma outra oportunidade de ampliar os negócios.

Para Thiago Mariano, líder de estratégia para os setor automotivo da Globo que coordenou o levantamento e sua análise, a pesquisa também demonstra que a comunicação é uma ferramenta primordial para endereçar as muitas dúvidas e ganhar os consumidores que ainda não têm um veículo e começaram a considerar a compra de um. Ele cita, por exemplo, que 19% dos entrevistados ainda não sabem que valor vão investir, outros 23% não decidiram a marca, 27% não escolheram o modelo e 32% nem sequer definiram se será um carro usado ou zero.

“O setor automotivo demanda mais investimentos em construção de marca do que em campanhas de ativação/varejo para conquistar clientes”, atesta Mariano. Ele aponta que 47% dos entrevistados na pesquisa preferem buscar informações sobre veículos em sites especializados e 44% acolhem recomendações de amigos e parentes para escolher um modelo. Propagandas na internet motivam 36% dos ouvidos a procurar informações sobre um carro, enquanto os comerciais na TV motivam 35%.

IMPACTO NO TRANSPORTE PÚBLICO

Na mesma apresentação, a Anfavea também convidou a Moovit, aplicativo de serviços de mobilidade pública, para demonstrar dados de como a Covid-19 afetou o transporte público – e o impacto foi grande, como era de se esperar. Dados da empresa demonstram que o uso do carro próprio triplicou durante a pandemia como forma de evitar o transporte coletivo.

Em pesquisa feita em agosto com 9,5 mil usuários do app em sete capitais brasileiras, 85% disseram que usavam o transporte público antes da pandemia, porcentual que caiu para 68% durante a pandemia e 70% nos próximos seis meses.

Em porcentuais que variam de 55% a pouco mais de 60%, dependendo da cidade, os pesquisados que disseram que preferem usar o próprio carro porque é mais seguro ou porque o transporte público não foi normalizado.

Entre as principais motivações para usar mais transporte público durante a pandemia, 77% disseram que seria o aumento da frota, 63% a localização em tempo real (para saber quando e onde exatamente usar o ônibus), 45% querem informações sobre quais linhas estão operando, 44% querem saber se os veículos estão lotados e 39% usariam somente em horários alternativos às horas de pico.

“De todas essas questões, somente uma não é possível resolver: nenhum operador de transporte vai aumentar a frota se a receita é menor, essa conta não fecha. Mas todos os outros pontos podem ser endereçados com maior uso de tecnologia”, aponta Pedro Palhares, gerente geral da Moovit no Brasil.

A Moovit, originalmente fundada em Israel, hoje opera seu aplicativo em 3,5 mil cidades (500 no Brasil) de 114 países, com 900 milhões de usuários. Este ano a Moovit se tornou uma das empresas do grupo Intel, de olho em aproveitar as oportunidades criadas pela fusão entre tecnologia da informação e mobilidade.

Confira no infográfico abaixo as principais conclusões da pesquisa realizada pela Globo

Por Pedro Kutney

Fonte: Automotive Business

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