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Como a Geração Z está mudando a relação com a mobilidade urbana

Compartilhar ao invés de comprar faz cada vez mais sentido para os jovens nascidos entre 1997 e 2010. De carros a bikes, passando por patinetes, saiba como eles impactam nos novos desenhos de ir e vir das cidades

A micromobilidade vem ganhando cada vez mais espaço nos centros urbanos. E os responsáveis por isso são os jovens da Geração Z, o grupo de pessoas que surgiu após os millennials e que, em alguns anos, deve comandar o mercado global de consumo. São eles os responsáveis por mudar o conceito de mobilidade urbana, trazendo para o centro do funcionamento das cidades a ideia de micro-movimentação, que pode ser feita de bicicleta, de patinete e de carro compartilhado. As opções, agora, vão muito além de simplesmente não ter um carro (que era uma das conquistas para a geração anterior) ou usar aplicativos de locomoção.

Muito se especulou sobre quando o consumo de automóveis começaria a decair por questões geracionais, mas para os millennials ele ainda era um bem de consumo de valor. Já para a GenZ, que cresceu em um ambiente em que o compartilhamento de ir e vir já era algo natural, a demanda por comprar o próprio automóvel pode nunca ser uma prioridade. Nos Estados Unidos, essa parte da população já corresponde por 40% dos consumidores. E no mundo, são 32%, segundo dados consultoria Allison+Partners.

Além da intimidade com aplicativos de tecnologia capazes de facilitar a experiência de compartilhamento, a GenZ também tem preocupações que a inclinam para o uso compartilhado dos vários veículos de mobilidade. A econômica e a climática são duas delas. Ao ver o carro como apenas um meio de locomoção e não como algo que define suas identidades, os jovens consumidores da Geração Z estão mais abertos a inovações e a testar produtos que contem com inteligência artificial. Devem ser, portanto, os primeiros prováveis consumidores de carros guiados por IA, por exemplo, em um futuro que não deve ser distante.

Mobilidade e startups

Empresas de tecnologia que usam apps para bicicletas compartilhadas, patinetes e motocicletas, além do carro, claro, ainda tem muito o que explorar com este público consumidor. Segundo a consultoria, cerca de 56% dos jovens GenZ só veem o carro como um meio de ir e vir, o que abre possibilidades para outros veículos de micro-mobilidade.

Algumas cidades do mundo já estão se adaptando aos novos desejos de estilo de vida de seus cidadãos mais jovens. Entre elas estão Madrid, capital espanhola, em que a frota de patinetes elétricos só vem crescendo e já passa de 5 mil – sendo, segundo dados divulgados, a maior do mundo. Barcelona, também na Espanha, aumentou o número de ciclofaixas para ficar ainda mais amistosa a quem usa meios alternativos de transporte que não o carro individual. A capital da Catalunha está repleta de startups que exploram o mercado de compartilhamento em patinetes, bicicletas e motos.

Paris e Londres também caminham para essa mobilidade mais fluída, de acordo com um ranking que avalia a capacidade de conectividade e digitalização das cidades feito pela Nestpick, uma empresa que ajuda a encontrar quartos e apartamentos em diversas cidades do mundo.

E, por fim, como toda nova geração sempre reflete uma mudança de importância em certos comportamentos, andar de carro sozinho – o chamado transporte individual – é visto pela GenZ como algo estressante. Ainda há muito o que se melhorar no quesito mobilidade nas cidades brasileiras, mas a criação de faixas exclusivas e a abertura de mais e mais empresas dedicadas ao compartilhamento para pequenos trajetos é uma tendência sem volta.

Com menos carros, há uma oportunidade de repensar o uso do espaço nas cidades e, quem sabe, aumentar a quantia de espaços públicos verdes, por exemplo. Esse é um tipo de previsão que não é difícil de se fazer para o futuro. Ainda em 2017, a “Pesquisa Alelo Tendências de Mobilidade da Geração Z”, que conversou com mais de 1500 jovens de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Recife e Salvador, verificou que 41,1% dos respondentes não se interessavam por carros próprios ou não viam necessidade neles.

O estudo aconteceu antes da pandemia de Covid-19. Cerca de três anos depois, com o agravamento das questões econômica e sanitária, gastar dinheiro com um carro deve ser a última das prioridades de uma turma que já viu no compartilhamento uma saída prática, ecológica e sustentável.

Por Luciana Fonseca

Fonte: Consumidor Moderno

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