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Aluguel de carros: Cade aprova com restrições fusão das empresas Localiza e Unidas

Fusão foi aprovada por 3 votos a 2. Órgão determinou venda de carros pela nova empresa e alienação da marca Unidas.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, aprovou nesta quarta-feira (15) por 3 votos a 2 a fusão das empresas locadoras de veículos Localiza e Unidas.

A operação foi aprovada com restrições e algumas medidas deverão ser adotadas, entre as quais:

  • venda de carros pela nova empresa resultante da fusão;
  • alienação da marca Unidas.

A Superintendência-Geral do Cade havia recomendando que a operação fosse aprovada com a adoção de medidsa para reduzir os chamados “riscos concorrenciais”, pois a fusão poderia gerar “riscos relevantes para o ambiente competitivo no mercado de locação de veículos”.

Um dos acionistas e fundadores da Localiza é José Salim Mattar Junior, que até agosto do ano passado ocupou o cargo de secretário especial de Desestatização e Privatização do Ministério da Economia.

Votos pela aprovação

Ao apresentar o voto, a relatora do caso, conselheira Lenisa Prado, afirmou que um novo acordo foi fechado nos últimos dias com a Localiza e a Unidas, ampliando “significativamente” o número de veículos a serem vendidos. Os termos do novo acordo são confidenciais não foram divulgados.

Segundo o conselheiro Luiz Augusto Hoffman, que votou a favor da operação com restrições, o acordo também contemplou a venda da marca Unidas, além de agências localizadas em áreas centrais de municípios e aeroportos e de lojas de vendas de veículos seminovos. Também abrangeu a não realização de novas operações no mercado de aluguel de veículos por três anos.

O presidente do Cade, Alexandre Cordeiro, informou que, com o novo acordo fechado, a participação de mercado da nova empresa, formada pela fusão, ficará abaixo de 50%.

“Temos um porcentual grande de desinvestimento, com venda de marca, o que vem dar liberdade ao Cade para aprovar o ato de concentração com os remédios”, declarou, ao votar pela aprovação da operação.

Votos pela rejeição

Contrária à fusão, a conselheira Paula Azevedo afirmou que operação não apresenta “racionalidade econômica”, sendo “anticompetitiva por essência”, e que as medidas apresentadas não são suficientes ou eficazes para sanar os problemas identificados.

“Acredito estarmos diante de uma fusão em direção em monopólio”, declarou ela.

O conselheiro Sérgio Costa Ravagnani, por sua vez, também votou pela reprovação da operação. Ele julgou que, mesmo com novos termos, o acordo não oferece o “conforto necessário” para afirmar que o desinvestimento será suficiente.

“O mercado passará de moderadamente concentrado para altamente concentrado”, avaliou.

Concorrente

Durante a sessão desta quarta-feira, o advogado da empresa concorrente Brookfield/Ouro Verde, Gabriel Dias, defendeu que a operação não fosse aprovada pelo Cade.

Ele argumentou que a transação representa a fusão da maior empresa do mercado com a segunda maior, o que fará com que, juntas, segundo ele, as empresas tenham quatro vezes o tamanho da terceira colocada.

“A aprovação desse caso significa a formação de um gigante que terá um poder de barganha impossível de ser batido frente às montadoras, que traz para o mercado um ‘player’ que tem acesso a descontos não replicáveis, portfolio e pátios que ninguém consegue bater”, afirmou Dias.

Empresa global

Quando a fusão foi anunciada, em setembro de 2020, o presidente da Localiza, Eugênio Mattar, afirmou que o objetivo era formar uma empresa de escala global nos segmentos de gestão de frotas e aluguel de carros.

“Iremos colocar o Brasil na vanguarda da mobilidade”, declarou Mattar na ocasião.

Pela operação, anunciada em setembro do ano passado, haverá a incorporação de ações da Unidas pela Localiza. Com base na relação de troca, os acionistas da Localiza passariam a deter 76,85% da companhia combinada e os então acionistas da Unidas passariam a deter 23,15%.

Para que fosse formalizada, a transação teria de ser aprovada pelo Cade, órgão do governo responsável pela análise de concentração de mercado.

No terceiro trimestre deste ano, o lucro líquido da Localiza subiu 34,3%, para o recorde de R$ 139,5 milhões, impulsionado por forte aumento na receita com aluguéis de carros e venda de seminovos.

Por Alexandro Martello

Fonte: g1

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